Salazar não morreu…

Está bem vivo e continua a influenciar a vida de milhões de pessoas, neste “jardim à beira-mar plantado”!

Sou, como a minha mulher, parte da primeira geração, nascida no início da primeira década depois de terminado o governo de Salazar, que se estendeu de 1932 a 1968.

No entanto, como disse, ele não morreu! E a sua obra continua bem viva! Está bem vivinha, em cada um dos nossos pais e na sua maneira de ver o mundo!

A teoria/política de que “só eu é que sei”, “eu é que sou bom”, “eu sou o melhor”, “tem de ser como eu quero”, “só pode ser assim” e por aí adiante, foi bem assimilada e foi a sua maior e mais duradoura obra!

A inexistência/não aceitação de outras opiniões/visões continua a infernizar o quotidiano de centenas de milhares de famílias por este país fora, famílias que são todos os dias impedidas de serem livres para fazerem as suas escolhas sem serem olhadas de lado pelos seus ascendentes, ainda hoje manietados pelo regime!

É curioso que tal influência não se fazia sentir de forma tão aguda na geração anterior! Qualquer um dos meus avós era muito mais equilibrado nesta questão, não manifestando o egocentrismo agudo que os nossos pais evidenciam!

Que pena eu tenho que eles ainda não tenham percebido que podem ser livres e que o mundo tem mais cores…

E, nestes casos, infelizmente, a experiência de vida que a idade trouxe também não tem ajudado a abrir horizontes…

É a liberdade que lhes escapa, a felicidade que não vêem!

A nós resta continuar a empurrar o muro que, não sendo físico, é, sem dúvida, o pior e mais duradouro legado do ditador: a ditadura do “eu”.

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