Expresso Diário | As lágrimas de 49 jovens portugueses ao ver a dor de Mauthausen

Saíram de Portugal como quem vai numa viagem de finalistas e acabaram confrontados com a indústria da morte. Quatro dezenas de jovens de Loulé marcaram presença na cerimónia de preservação da memória do campo de Mauthausen, na Áustria. Aprenderam que saber dói, que ver custa, mas, sobretudo, perceberam que deixar acontecer novamente não pode ser uma hipótese. E voltaram diferentes do que foram […]

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O ranking das escolas…

Se há coisas que me deixam triste, esta é uma delas. Pensar que os alunos são todos iguais, que as comunidades onde eles estão inseridos, tal como as suas escolas, são comparáveis e se podem seriar, faz-me pensar nas várias doenças que afectam a nossa sociedade.

Os alunos não são um produto ou, se o são, são o produto da sociedade em que vivem. Por isso, façam-se rankings das cidades, das vilas, das aldeias, das políticas para a educação e dos seus políticos, etc… Deixem de tapar o sol com a peneira! Não é só à escola e aos professores (estes obedecem a ordens) que cabe motivar os alunos. Também é necessário que a sociedade, os pais e os alunos queiram, gostem e achem útil aprender!

Ser professor

Ser professor,
Se não houvesse espelhar de olhos no primeiro dia de aulas, ser professor não seria um sonho.
Se um fio de beleza não pudesse soltar-se daqueles dedos, daquelas vozes cantoras, daqueles corpos em movimento, ser professor não seria um sonho.
Se nunca um verso ganhasse asas no fresco dos seus lábios, ser professor não seria um sonho.
Se um livro, uma pintura, um ambiente virtual ou um filme não abrissem uma porta até então fechada, ser professor não seria um sonho.
Se o tédio não pudesse emagrecer, ser professor não seria um sonho.
Se o saber não construísse pessoas melhores, ser professor não seria um sonho.
Se Arte e Jogo, Língua e Ciência não pudessem ser nomes próprios, nobres palavras, ser professor não seria um sonho.
Se um certo olhar não sorrisse ao conseguir ler pela primeira vez uma frase, fazer uma descoberta, resolver um problema, ser professor não seria um sonho.
Se um rosto não se iluminasse ao ouvir “muito bem!”, “está bem visto!”, “um passe perfeito!”, ser professor não seria um sonho.
Se uma mão negra e outra branca e outra morena não pudessem tocar-se, ser professor não seria um sonho.
Se várias cabeças não conseguissem pensar melhor do que uma, ser professor não seria um sonho.
Se o silêncio e o asseio, a sobriedade e a ordem não pudessem ser aprendidos, ser professor não seria um sonho.
Se o medo e a violência, a solidão e a pobreza não pudessem ser combatidos, ser professor não seria um sonho.
Se justiça e democracia, fraternidade e autoridade não pudessem ser aprendidas, ser professor não seria um sonho.
Se na escola não pudesse germinar a paz e a entreajuda, em vez da competição, ser professor não seria um sonho.
Se a escola não ajudasse a reordenar o mundo, ser professor não seria um sonho.
Se a inteligência não pudesse guiar o sonho, se este não pudesse guiar a inteligência, ser professor não seria um sonho.
Quando nas lides te iniciaste, ser professor tinha a forma de um sonho? Se não tinha, o tempo deu-lhe essa forma. Para muitos, ser professor é tornar real um sonho. O de ajudar a crescer, a fazer do mundo um lugar melhor para se viver.
E não há ofensas, nem indignidades – provindas de efémeros poderes –, nem rankings, nem propagandas capazes de matar esse sonho.
Nem distâncias, nem sacrifícios, nem desassossego, nem noites em claro…
Sem vozes de crianças e jovens à tua volta, sem humana relação, ser professor não seria um sonho.

João Pedro Mésseder, no Dia do Professor 2018

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