As coisas que um adulto de 44 anos (re)aprende…

Quem nunca ouviu aquela máxima que diz “Aprender até morrer.”? Pois… Provavelmente ninguém!

Este post é disso o exemplo perfeito. Por isso, convido-vos a fazer uma curta viagem ao mundo da escrita. Não, não vamos analisar literatura. Refiro-me à escrita, mas àquela que não usa teclas, à outra, à tradicional, àquela feita com uma qualquer ferramenta de escrita.

Repararam que eu escrevi: “ferramenta de escrita”. Soa de modo esquisito, não soa? Claro, num mundo massificado onde somos todos ensinados a adotar comportamentos de ovelhinhas bem comportadas a ir para a esquerda e para a direita conforme o pastor quer, não admira que soe de forma estranha eu não ter dito “esferográfica”! Mas não disse. E repito, vou falar de “ferramentas de escrita”, pois só assim poderei falar da vasta gama de instrumentos que nos permitem, a todos ao redor do mundo, registar os milhões de quilómetros de linhas de pensamentos diários que os seres humanos registam todos os dias.

Mas, o que são ferramentas de escrita? Bem, são todos os instrumentos que nos permitem passar os nossos pensamentos para suportes (como o papel) onde tinta ou outro material (como a grafite) os retêm por muitos anos, em muitos casos por muitos séculos. E deste conjunto de ferramentas fazem parte, entre muitas outras ferramentas, o lápis, nas suas infindáveis variedades de cores, formas e materiais; as esferográficas, idem; as canetas, etc… E é destas últimas que eu quero falar…

Desde sempre que as canetas de tinta permanente exerceram um fascínio sobre mim. Ainda pequenino, levei meio às escondidas, uma caneta do meu pai para a escola primária. Mas logo fui informado, pela senhora professora, que aquela não era a ferramenta mais adequada para mim…

Hoje sei que ela estava enganada. Bem, talvez não totalmente. Ela também não deveria saber… De qualquer maneira, naquele tempo e no nosso, sim, ainda mais no nosso, poucos são os pais que sabem que as canetas de tinta permanente são como um animal de estimação, sim, como um cão. Se as tratarmos bem elas duram uma vida e retribuem-nos a alegria e felicidade de escreverem sempre bem, sem problemas além de simples momentos de manutenção que, tal como no caso do cão que levamos ao veterinário, se convertem em momentos de partilha e de intimidade. Em suma, somos recompensados com o carinho incondicional do nosso amigo e com a magnífica escrita da nossa caneta que, aliás, é a única que verdadeiramente se adapta à nossa forma de escrita e que cresce connosco, tal como o cão que se aninha connosco quando sente que estamos meio para baixo… E porque se adapta a nós, é única.

OK. Chega de paleio… Mas não deixa de ser curioso que em alguns países evoluídos desta nossa Europa os alunos aprendam, ainda hoje, a escrever com canetas de tinta permanente… Sim, na escola primária! Mas estes exemplos não são copiados pelos nossos políticos…

Dizia eu que a minha professora achou que aquela não era a melhor ferramenta para mim… E pronto, ficou de lado, trocada pela hegemonia do tubinho de tinta com a esfera milagrosa na ponta…

Vários anos se passaram e, recordo-me, muitas foram as variedades de esferográfica tentadas, com vista a melhorar uma escrita que tinha tanto a ver com a beleza e legibilidade como uma estrada de paralelos e uma carroça têm a ver com o conforto de viajar…

Chegado à universidade lembrei-me de voltar às canetas. E “voilá”! A minha letra melhorou substancialmente e eu até já gostava dela… Mas esta reentrada não foi esclarecida… Qual é o jovem que aos 18 anos sabe como estas coisas são e funcionam de forma clara e efetiva? Bem… Pelo menos eu não sabia… Não é que seja algo complicado. Não. Mas o simples que é, é necessário ser sabido.

E, quando a caneta começou a aparentar um comportamento menos correto, passados dois ou três anos de trabalho contínuo fiel e sem ser levada ao “veterinário”, quero dizer, sem eu lhe ministrar qualquer manutenção, pensei que que a minha fiel companheira estava estragada…

Alguns anos se passaram, depois, e várias canetas foram passando pelas minhas mãos também. Sempre com o mesmo fim, depois de se dedicarem fielmente ao seu dono durante largos períodos de tempo. Recordo que sou professor e a escrita é a minha lavoura. Logo, sou um bocadinho exigente com este tipo de ferramenta…

Acabei por deixar as canetas de lado. E fui tentando manter a minha escrita dentro de parâmetros de suficiente legibilidade.

Recentemente, há cerca de um ano, as minhas meninas resolveram oferecer-me uma nova caneta, e voltaram a dar vida ao bichinho… Passado um ano de torturas a minha nova amiga começou a revelar os mesmos sintomas… Começou a andar triste…

Desta vez, porém, decidi não ceder. E, graças à nossa amiga Internet — Ah, a Internet! — comecei a perceber que quem se estava a portar mal era eu…

E então, por mais incrível que pareça, a minha caneta universitária voltou à sua forma inicial. Bem, salvaguardando o desgaste natural resultante de muitos quilómetros de linhas escritas…

Descobri, ainda, outra coisa: que cá em Portugal, em especial no interior, não encontramos nada do que precisamos, se quisermos algo que foge ao comportamento da ovelhinha bem comportada…

Novamente… Ah, a Internet! — A Internet, mas na Europa evoluída, não em Portugal! (Oops… Eu acabei de dizer isto?) — Canetas de todas as formas e feitios. Caras, baratas. Tintas, sim, tintas de todas as cores e mais algumas!!! Canetas com 21 opções de aparo! Sim, uma caneta com a possibilidade de escolhermos 21 tipos de aparo diferentes! Canetas às quais podemos facilmente mudar o aparo e passar a ter uma caneta com uma personalidade totalmente diferente!

Antes de ir aos factos… Perguntam-se, se se deram ao trabalho de ler isto tudo: O que é que eu fiz às canetas para as rejuvenescer? Simples… Estas canetas desmancham-se todas e lavam-se com água, nada mais. Depois montam-se e estão novas… Já não borram nada, pois esse problema era resultante da má utilização e não problema da caneta. Também não se transportam ou guardam de cabeça, digo, aparo para baixo, nem se fecham nessa posição. E, perdoem-me, não se emprestam. Lembram-se, eu disse que elas se afeiçoam a nós, certo? Por isso não gostam de ser emprestadas. O vosso cão gosta que o emprestem ao amigo?!

Vamos, então às canetas. Eis alguns exemplos:

SONY DSCPormenor da Italix Parson’s Essential Medium Italic nib, de Mr Pen, com 21 tipos de aparo!

Italix Parson’s Essential

LamyLamy Vista, de Lamy, com 6/7 tipos de aparo.

E as tintas? Bem, 101 cores, chegam? Sim, eu não me enganei. São cento e uma cores diferentes? Como os dálmatas…

DiamineAqui já estamos a ver 8 azuis diferentes da Diamine.

E muitos mais exemplos poderiam ser dados. Mas, infelizmente, as opções em Portugal são pouquíssimas, em especial no interior… Mas, felizmente, temos a Internet — Ah, a Internet! — e é fácil chegar ao Ebay, e a outras lojas como a The Hamilton Pen Company, The Online Pen Company, Europens, MrPen, Pen Heaven e/ou The Pen Shop.

E, para finalizar, querem saber uma coisa? Então não é que, aos 44, recebi os meus primeiros elogios à minha caligrafia! Foi preciso esperar, mas valeu a pena!

Divirtam-se e escrevam… Precisamos de bons escritores.

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