Já dizia o Eça de Queirós

“O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão
dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única
direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem
instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não existe
nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já se não crê na honestidade dos
homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e
na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos vão abandonados a
uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos
todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Todo o viver
espiritual, intelectual, parado. O tédio invadiu as almas. A mocidade
arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretarias para as mesas dos cafés.
A ruína económica cresce, cresce, cresce… O comércio definha, A indústria
enfraquece. O salário diminui. A renda diminui. O Estado é considerado na
sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.”

Eça de Queirós

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