Do prazer de ser autor

Recentemente, ao folhear um jornal regional que tenho o hábito de ler, deparei com uma notícia ilustrada com uma foto tirada por mim, por altura das Festas da Cidade de Abrantes de 2006: a foto que acompanha este “post”. Fiquei surpreendido. Não por não saber que alguém podia fazer o “download” de alguma das minhas fotos e usá-la mas, por isso ter acontecido num jornal que, supostamente, é um órgão ciente do que significa a expressão “direitos de autor”.
Todas as minhas fotos estavam licenciadas através da Licença Creative Commons. Desta forma, o jornalista sabia que podia usar aquela foto. Sabia também que devia ter indicado que era eu o seu autor. Era esta a única regra que devia respeitar, devendo usar a foto sem a alterar e não podendo usá-la com fins comerciais. Considero que os dois últimos requisitos foram respeitados, mas tal não aconteceu com o primeiro deles.
Não seria esta a primeira vez que alguém publicava uma foto minha, mas foi a primeira vez que o fizeram sem respeitarem o meu direito: o direito de ter o prazer de ser autor.
Manifestei o meu descontentamento perante a situação, por e-mail, ao director do jornal em causa. Não obtive resposta, tal como já havia acontecido noutra ocasião, quando critiquei a forma descuidada como uma notícia tinha sido redigida. É deselegante um director de um órgão de comunicação não responder a um leitor. Mostra que não se tem o devido respeito pelo seu público.
Este episódio vem na sequência de outro, que se passou na escola onde lecciono. Uma colega usou as fotos dum acontecimento por mim fotografado, sem me dar conhecimento de que o ia fazer e sem referir que as fotos eram da minha autoria. Também não fiquei satisfeito. Quem vê as fotos não sabe quem as tirou… Não é necessário… Aquilo não dá trabalho nenhum…
Em virtude de eu sentir que o prazer que eu tenho em registar eventos – que muitas vezes são importantíssimos na vida das instituições por onde vou passando e na vida dos próprios alunos sendo, muitas vezes, a única maneira de os preservar para o futuro – está a ser lesado, passarei, a partir deste momento, a colocar uma marca de água, com a indicação do copyright, em todas as fotografias e limitarei a possibilidade de delas ser feito “download” a partir da minha galeria online. Abrirei certas excepções à regra, em relação à questão do “download” e, aos interessados que tenham sido fotografados, cederei a(s) foto(s), se pedida(s) por e-mail, sem a referida marca de água, com a condição dessa foto ser usada dentro das regras da licença:
Creative Commons License

This
work is licensed under a
Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 2.5 Portugal License.

P.S. Como repararam, não coloquei aqui o nome do jornal em causa dado considerar que o seu nome não merecia ser enxovalhado devido a uma questão que, sendo importante, não lhe retira o seu enorme valor e o prestígio alcançado a nível da imprensa regional. Foi um lapso que foi corrigido na edição desta semana, em editorial, pelo respectivo Director, a quem havia dirigido o e-mail.
Quero aqui agradecer o reconhecimento feito pelo mesmo e também o facto de a minha foto ter merecido a escolha do jornal para a ilustração da notícia citada.
Informo que a minha galeria fotográfica está ao inteiro dispor de quem a desejar visitar, bastando para tal clicar no link “As minhas fotos”, neste blog e que eu terei o maior prazer em ceder qualquer das minhas fotos, para uso não comercial, desde que seja citado o seu autor. Se me for solicitado por e-mail, cederei o exemplar da respectiva foto sem a marca de água.
Está desfeito o lapso e provado que o jornal em causa respeita os seus leitores e que se preocupa em desempenhar um papel activo na promoção da região, em união de esforços com o seu público.

3 thoughts on “Do prazer de ser autor

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  1. Por acaso, esqueci-me de por a marca de água nas minhas fotos que meti no grupo de Abrantes do flicker…
    Logo à tarde tenho q emendar esse erro…
    Eu também DOU as fotos sem marca de água, se me pedirem, como já aconteceu no Tal & Qual e no Jornal de Alferrarede mas terão q fazer referencia ao autor…
    Como tu dizes as fotos não valem nada enquanto fotos, mas o momento, o tempo perdido a capacidade imaginativa da fotografia são propriedade intelectual… Gostaria de ver esses jornalistazitos (é disso que se trata) a verem os seus textos plagiados em jornais de maior dimensão sem se referirem a eles… Até berravam!!!

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